12 de Julho de 2009

Sapateiro

Meu trabalho de etnografia visual (apresentação [bem] reduzida):



Sr. Silvério tem 68 anos de idade, largou a escola cedo, aos 11 anos, e com 12 começou a aprender o ofício de sapateiro com um vizinho. Uma relação de mestre e aprendiz. E aproximadamente aos 18 anos de idade parte para o Brasil, isto foi em 1959, indo morar na casa dos tios, no bairro do A... – casa, inclusive, onde mora até hoje.

Entre 1959 e 1960, seu irmão, José, chega de Portugal. Ele também aprendeu o ofício de sapateiro do mesmo modo que Silvério, no entanto seu mestre foi outro. Nesta mesma época passam a trabalhar como funcionários para um sapateiro que já estava instalado, haviam chegado com muito pouco dinheiro ao Brasil. Juntam uma quantia e, então, compram esta pequena oficina. Compraram-na como tudo – só o martelo não veio junto!

Hoje, essa profissão vem sumindo, desaparecendo paulatinamente. Talvez, essa pesquisa possa se assemelhar com a antropologia evolucionista que tinha como preocupação o registro de “sociedade primitivas” antes de seu desaparecimento. Não, essa não foi a minha preocupação, ao menos a princípio, mas sim o registro fotográfico das técnicas corporais.

A profissão do sapateiro está sumindo devido ao desenvolvimento econômico da sociedade. Acredito que durante esse tempo em que estive junto na oficina fotografando e questionando meu informante [sr. Silvério] tenha parado para refletir sobre sua profissão – uma interferência que eu, enquanto pesquisador, faço ao objeto de estudo. Sr. Silvério apontou algumas causas para o desaparecimento da profissão de sapateiro, tais como 1) o surgimento do tênis e consecutivamente a feitura de calçados com matérias cada vez mais descartáveis, de baixa qualidade e durabilidade; do 2) aparecimento do cartão de crédito facilitando a aquisição de calçado. Não existe mais aprendiz nas oficinas, portanto 3) a morte de um sapateiro é o fechamento da oficina. Apesar de não ter feito uma estatística ou encontrado, estimo que a faixa etária seja compreendida entre 40 à 70 anos ou mais, creio que no máximo deve haver alguns desviantes de 30 anos.

5 de Julho de 2009

Dica [número quatro]

Existem apenas três problemas para escrever: começar, continuar e terminar. Vai longe quem supera isso.

20 de Junho de 2009

About me

Tão interessante como novidade e tão enfadonho como trivialidade.

12 de Junho de 2009

Photographia

Forças heterônomas fazem que cada vez menos tenha tempo para escrever. A multiplicidade de textos científicos e a complicações de ter algumas compreensão clara do que está sendo dito, para não pensarem que seja mera desculpa aqui vai um bom exemplo: “(...) habitus, sistemas de disposições duráveis, estruturas estruturadas predispostas a funcionar como estruturas estruturantes (...)” (BOURDIEU, P.). Pois é...

Portanto, deixo aqui uma photographia minha. Afinal de contas pouco me mostro aqui, a foto do meu perfil propositadamente nada mostra, apenas um chapéu de palha e um queixo fugidio. A photo que escolhi também pouco revela sobre mim, afinal de contos devo me preservar – vai que meu rosto não seja muito convincente e me faça perder todo o credito com vocês (se um dia tive)?

De toda forma é uma photo bonita, tirada pela minha amiga Rafaela (Stoubby). A grama alta, o dourado do sol refletido sobre a Baía de Guanabara, azul do céu e o cinza das nuvens, meu cabelo recém cortado... A photo sugere que estava contemplando o pôr-do-sol sobre a área portuária do Rio de Janeiro. É, sem dúvida, uma vista muito bonita (pena que não dê para ver através desta imagem o Corcovado ou o Pão-de-Açúcar).

4 de Junho de 2009

Seu cérebro está se transformando

Seu cérebro está se transformando. Só em ler isto seu cérebro está se transformando. Está cientificamente comprovado que só em ler isto seu cérebro está se transformando. Os jornais afirmam que está cientificamente comprovado que só em ler isto seu cérebro está se transformando. As revistas e os jornais afirmam que está cientificamente comprovado que só em ler isto seu cérebro está se transformando. Me falaram que as revistas e os jornais afirmam que está cientificamente comprovado que só em ler isto seu cérebro está se transformando. É bem verdade que me falaram que as revistas e os jornais afirmam que está cientificamente comprovado que só em ler isto seu cérebro está se transformando, porque só em ler isto seu cérebro está se transformando.

28 de Maio de 2009

Apanhados

Manter um blog atualizado é necessário algumas horas de dedicação, coisa que no momento me falta. Esse mês o número de trabalhos e textos da faculdade parece que por passe de mágica multiplicaram. E é necessário somar aí também os momentos fraqueza da alma, tristeza, desanimo e por ai vai. No entanto, tenho comentado algumas palavras curtas no meu twitter – http://twitter.com/RafaelVelasquez

Fui informado, via Twitter, da existência de um movimento “FreeMaísa” (!?). Parto do pressuposto que vocês saibam do que se trata sobre a apresentadora mirim do SBT. Acho esse “movimento” tão horrível e de mal gosto quanto ao espetáculo que o Silvio Santos faz com a menina. Por que? Já existe instâncias para cuidar do assunto, não sendo necessário, portanto, a criação de um movimento. E esse "Free" me pareceu igual a um movimento de libertação animal de espetáculos circenses. No entanto estamos lidando com um criança (não esqueça: humana). E vocês, o que acham? http://freemaisa.info/

E ainda via twitter tive a oportunidade de assistir o resultado deste trabalho magnífico, vejam com seus ouvidos e escutem com seus olhos (hahaha) - http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=2539741

Forte abraço,

18 de Maio de 2009

Dica [número três]

Não banque o esperto de se autoconvidar quando uma americana falar que irá ao cinema com friends. Você não sabe se são friends mulheres ou friends homens.

-Lição aprendida na Bahia, observando um italiano que estava comigo no albergue.

8 de Maio de 2009

Sur la télevision: Bourdieu

Segue um trecho significativo que acabei de ler do sociólogo (porque não dizer pensador?) francês, Pierre Bourdieu (1930–2002), acerca do poder simbólico da televisão, principalmente no campo jornalístico.

Os perigos políticos inerentes ao uso ordinário da televisão devem-se ao fato de que a imagem tem a partircularidade de poder produzir o que os críticos literários chamam o efeito de real, ela pode fazer ver e fazer crer no que faz ver. Esse poder de evocação tem efeitos de mobilização. Ela pode fazer existir idéias ou representações, mas também grupos. As variedades, os incidentes ou os acidentes cotidianos podem estar carregados de implicações políticas, éticas etc. capazes de desencadear sentimentos fortes, freqüentemente negativos, como o racismo, a xenofobia, o medo-ódio do estrangeiro, e a simples narração, o fato de relatar, to record, como repórter, implica sempre uma construção social da realidade capaz de exercer efeitos sociais de mobilização (ou de desmobilização)”. (Pág. 28)

Grifos do autor. BOURDIEU, Pierre. Sobre a Televisão Seguido de: a Influência do Jornalismo e Os Jogos Olímpicos. Trad. Maria Lúcia Machado. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor. 1997.

3 de Maio de 2009

Dica [número dois]

O seu cotidiano é igual ao meu quotidiano; têm seus momentos monótonos.

26 de Abril de 2009

Cena patética (quase surreal) do quotidiano

O celular toca. Número privado.

– Alô – ninguém responde do outro lado da linha – Alô! Alô?

Desligam.

Dois minutos depois o mesmo número ligando.

– Alô.

Uma voz feminina do outro lado da linha:

– Oi. Sabe quem está falando?

– Não faço idéia. O número é privado.

– O quê? ...Estou com saudades.

– Quem é?

Desliga.

Quase cinco minutos passam e o celular tocar novamente, a mesma pessoa.

– Quem é?

– Eu quero dar para você.

– Mas quem é você?

Desliga, novamente.

Medita um pouco. Quem teria sido? Uma ex-namorada? Uma maluca qualquer? Trote? Uma araponga? Um engano? Será que o herói está jurado de morte? Seria uma saudade louca? Tesão desenfreado? Não, não, surreal demais.